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sábado, 22 de março de 2014
quinta-feira, 6 de março de 2014
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
Novos documentos fazem renascer denúncias contra aliados de Sérgio Cabral
FONTE: REVISTA ÉPOCA
Era uma terça-feira. Aparentemente, seria mais um dia normal na Camargo
Corrêa, um dos maiores grupos empresariais brasileiros, com 58 mil
funcionários espalhados pelo país e pelo mundo. Mas aquele 25 de março
de 2009 não foi um dia comum. Tinha tudo para ser lembrado como o início
de um dos mais rumorosos casos de promiscuidade no Brasil,
entre uma empreiteira e partidos políticos. Naquela manhã, 40 policiais
federais varejaram o edifício sede da Camargo Corrêa, em São Paulo,
e também casas e escritórios de funcionários e lobistas, suspeitos de
operar um esquema de lavagem de dinheiro para a construtora. Na ação,
batizada de Castelo de Areia, os policiais apreenderam uma série de
documentos que, segundo eles, traziam indícios de transferências de
recursos para políticos de diversos matizes, em contas no Brasil e no
exterior. Entre os citados na papelada estavam nomes de PMDB, PT, PSDB,
PR, DEM, PCdoB, PSB e PP. A operação que prometia dinamitar gabinetes em
todo o país acabou desmontada no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Sob a alegação de que a ação da PF se baseara numa denúncia anônima, os
ministros do STJ suspenderam o processo e anularam as provas recolhidas
pela Polícia Federal.
O Ministério Público Federal discordou da decisão e, em agosto de 2012, recorreu ao Supremo Tribunal Federal.
Em dezembro do ano passado, a subprocuradora-geral da República Maria
das Mercês Aras, que atuou no caso, recebeu um conjunto de documentos
que não integravam o processo original da Castelo de Areia. Por
considerá-los relevantes, ela remeteu os documentos a Rodrigo Janot,
Procurador-Geral da República, que representa o Ministério Público no
STF. Empossado em setembro, Janot disse a sua equipe que tem interesse
especial na Castelo de Areia. Segundo os procuradores envolvidos no
caso, tais documentos, a que ÉPOCA teve acesso, podem levar à reabertura
da Castelo de Areia. Os mesmos documentos causaram apreensão no grupo
próximo ao governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.
O cruzamento dos novos documentos com os relatórios anteriores da
Castelo de Areia revela os bastidores da renovação da concessão do Metrô
Rio, sem licitação, assinada por Sérgio Cabral no final do primeiro ano
de seu governo, em 2007. Por meio de um Instrumento Particular de
Transação, a então concessionária do metrô, a Opportrans, quitou uma
antiga dívida do Estado com a Camargo Corrêa, por obras não concluídas
de expansão do metrô nos anos 1980. A Camargo Corrêa, em contrapartida,
encerrou cinco ações judiciais contra o Estado. O valor da dívida foi
estimado em R$ 40 milhões. Em troca, o governo antecipou em dez anos a
renovação do contrato da Opportrans e ainda a estendeu por mais 20 anos,
até 2038. Esse acordo foi publicado no Diário Oficial, de
forma discreta, no dia 31 de dezembro. Há uma incrível sucessão de
coincidências entre as datas e os valores dos pagamentos estipulados no
acordo e os documentos apreendidos na Castelo de Areia.
Em anotações manuscritas e e-mails recolhidos na ação da PF, aparecem
anotações que a polícia identifica como referências a Wilson Carlos de
Carvalho, secretário estadual de Governo há sete anos e coordenador das
últimas quatro campanhas de Cabral, e a Carlos Emanuel Miranda, sócio de
Cabral na SCF Comunicação e Participações Ltda. até setembro de 2013,
quando a empresa foi extinta. Os dois, segundo a PF, aparecem como
beneficiários de pagamentos suspeitos no Brasil e no exterior, relativos
à “dívida do Metrô Rio”. Os valores descritos nesses manuscritos e
mensagens eletrônicas correspondem exatamente a 5% dos valores pagos
pela Opportrans à Camargo Corrêa que constam do contrato publicado no Diário Oficial. As datas também. Em 2010, a Camargo Corrêa foi a principal doadora na reeleição de Cabral, com R$ 1 milhão.
O contrato assinado entre o governo do Estado, Opportrans e Camargo
Corrêa estipulou a dívida com a construtora em R$ 40 milhões. Segundo o
contrato, ela deveria ser paga em 12 parcelas mensais, a partir de 27 de
janeiro de 2008. As duas primeiras parcelas seriam de R$ 3,35 milhões, e
as demais dez de R$ 3,33 milhões. Do sétimo mês em diante, o valor
sofreria correção monetária. A correspondência é impressionante com
tabelas e e-mails apreendidos nos escritórios e residências do
ex-vice-presidente e então consultor da Camargo Corrêa, Pietro Bianchi –
apontado pela PF como o principal operador do esquema –, e do doleiro
Kurt Pickel, acusado de enviar o dinheiro dos beneficiários ao exterior.
Ambos foram presos na operação.
Nos e-mails e manuscritos de Bianchi, aparecem menções a percentagens
destinadas a nomes em código e abreviaturas. Segundo a PF, Wilson Carlos
era identificado nas anotações como “Secret. Gov Wilson”, “Secret.
Wil”, “Secret. C.C. Wilson”, “Wilson” e “Wils”. Bianchi costumava usar
nomes de animais para se referir a alguns destinatários do dinheiro.
Miranda, o ex-sócio de Cabral, aparece uma vez como “Carlos Miranda” e
outras três vezes, segundo a PF, como “avestruz”.
As anotações referentes aos dois sempre vinham relacionadas à “dívida
do Metrô RJ” e a um valor em reais, seguido de um cálculo de 5% desse
valor. Os 5% aparecem com um código. Por exemplo: “R$ 3,35 milhões, 5% –
R$ 167.500 – Secret.Gov.Wilson”. De acordo com a PF, esses 5% eram o
quinhão devido a Wilson Carlos ou a Carlos Miranda. Na época da
apreensão, a PF desconhecia o acordo para o pagamento da dívida do
metrô, apesar de ele ter sido publicado no Diário Oficial. Por
isso, não pôde estabelecer no inquérito uma relação entre essas
anotações e os pagamentos feitos pela Opportrans à Camargo Corrêa.
As coincidências entre os valores do acordo e os 5% atribuídos a Wilson
Carlos e a Carlos Miranda se tornam mais impressionantes a cada
pagamento. O primeiro repasse associado a Wilson Carlos, de R$ 167.500,
em 25 de fevereiro de 2008, corresponde a precisamente 5% dos 3,35
milhões pagos pela Opportrans à Camargo Corrêa naquele mês. Na anotação
atribuída a Bianchi, esta´escrito: “2ª parcela – R$ 3.350.000,00 – 25/02
–5% – 167.500,00 Secret. Gov. Wilson”. A quarta parcela devida pelo
Metrô Rio à Camargo Corrêa , no dia 27 de abril, era de R$ 3,33 milhões.
Os R$ 166.500 destinados à “Secret. Wil” correspondem exatamente a 5%
disso. Nas anotações, se lê: “Metrô RJ 4ª parcela – 27/04/08 – R$ 3,33
milhões – 5% R$ 166.500 – Secret. Wil”.
Quando as mensalidades pagas pelo metrô à Camargo Corrêa foram
reajustadas para R$ 3,56 milhões, a partir de julho de 2008, como previa
o acordo, os valores continuam a coincidir. Em 25 de novembro, a
abreviatura que, segundo a polícia, corresponde ao nome de Wilson Carlos
aparece anotado novamente, ao lado do novo valor: R$ 177 mil, ou 5% da
mensalidade corrigida. Escrito a caneta, lá está: “Metro – RJ – 11ª
parcela 25/11 – 3.557.032 – 177.000 (Wils) RIM (código de Metrô Rio, segundo a PF).”
O relatório final da polícia mostra que as anotações à mão, ao lado dos
depósitos, eram o padrão usado para identificar os destinatários dos
recursos pagos pela Camargo Corrêa.
A PF encontrou ainda, na casa de Bianchi, uma tabela intitulada
“Atualização monetária – Parcelas da Dívida Metrô Rio de Janeiro”. O
documento detalha cada parcela, a data de pagamento e o valor corrigido.
Nas anotações atribuídas a Bianchi, há uma ligeira divergência do valor
da tabela e do acordo, para calcular os 5% destinados a Wilson Carlos.
Trata-se do terceiro pagamento, em 25 de março de 2008. Em vez de R$
3.330.000, está escrito apenas R$ 3.300.000, com R$ 30 mil a menos. Com
isso, os “5%” atribuídos ao “Secret. C.C. Wilson” caem a R$ 165.000. Em
maio, em vez de R$ 3.330.000, há um acréscimo de R$ 20 mil. Lá está
anotado R$ 3,35 milhões, separando os R$ 167.500 destinados a “Wilson”,
cujo nome é grafado à mão, ao lado de “5ª parcela: pagto 26/05 – R$
3.350.000,00 – 5% – R$ 167.500,00”. Mais dois repasses dos 5% relativos à
“dívida do metrô” aparecem nas tabelas atribuídas a Bianchi. Em de
janeiro e em dezembro de 2008. Nos dois casos, não há a identificação do
receptor. O primeiro é de R$ 167.500, e o de dezembro, de R$ 177.000.
O cruzamento de dados obtidos nas casas de Bianchi e do doleiro Kurt
Paul Pickel atingiu outro nome próximo do governador Cabral. Amigo de
adolescência e marido de uma prima de Cabral, Carlos Emanuel Miranda é
sócio do governador na SCF Comunicação e Participações Ltda., com 5% das
ações, desde 2004. Segundo a PF escreveu num dos relatórios da Castelo
de Areia, Miranda é o “provável beneficiário” de depósitos da Camargo
Corrêa no exterior. Num e-mail de 9 de fevereiro de 2009, ele é citado
como o destinatário de uma ordem de pagamento de R$ 177 mil. Além do
nome “Carlos Miranda”, aparecem dois números de telefone do Rio,
associados ao codinome “avestruz”. “Entregue por favor: reais 177.000 –
para carlos miranda 021.7831-2421 ou 2511.7877 cod. = avestruz (entrega
em são paulo)”, diz a mensagem.
A PF afirma que “a linha 2511-7877 está em nome de Carlos Emanuel de
Carvalho Miranda”. Dados como endereço e CPF correspondem exatamente aos
do sócio de Cabral. Em mais uma notável coincidência, os R$ 177 mil
equivalem a 5% de R$ 3,56 milhões, valor das últimas parcelas que a
Camargo Corrêa tinha a receber do Metrô Rio, segundo o contrato.
Registrada em nome de Miranda, a linha 021 2511-7877 já pertenceu ao
escritório político de Cabral e à SCF Comunicação e Participações Ltda.,
a empresa do governador com Miranda, sediada à Rua Ataulfo de Paiva, no
Leblon.
Segundo a polícia, Miranda, identificado pelo codinome “avestruz”, foi
destinatário de mais três depósitos no exterior, em dólares. Há
referência a “avestruz”em duas ordens de transferência internacional de
US$ 103.395, para bancos nos Estados Unidos e na China, de 8 de julho de
2008, encontradas na casa de Pietro Bianchi. Na segunda ordem – que
cancela a primeira –, está anotada a sigla “RIM (código de Metrô Rio, segundo a PF)
167.500”, com caneta azul. Logo abaixo, está escrito em vermelho:
“AVESTRUZ 103.395”. Os US$ 103.395 correspondem a exatos R$ 167.500 –
convertidos ao câmbio de R$ 1,62, citado por Pickel em interceptação
telefônica –, ou 5% da parcela paga em 27 de junho pelo Metrô Rio à
Camargo Corrêa.
Segundo a PF, a proximidade entre Wilson Carlos e Miranda é tanta que,
em alguns casos, há dúvida sobre quem recebeu o dinheiro. É o que ocorre
na 11ª parcela do pagamento do Metrô. O relatório da PF afirma: “Os
documentos retratam o valor de R$ 177.000 relacionado à obra do METRÔ do
RIO DE JANEIRO. O primeiro manuscrito indica que o pagamento estaria
relacionado a ‘WILS’, conforme já visto anteriormente, possivelmente
(...) WILSON CARLOS CORDEIRO DA SILVA CARVALHO, secretário de governo do
Estado do RJ. Contudo, nos documentos apreendidos na residência do
doleiro KURT PAUL PICKEL, há menção a pagamento de R$ 177.520 ao bicho
‘AVESTRUZ’. Desta informação foi possível identificar que o provável
beneficiário de tal pagamento seria CARLOS EMANUEL DE CARVALHO MIRANDA”.
Havia tantos indícios contra Wilson Carlos que a PF pediu a instauração
de um inquérito policial específico contra ele, para apurar se houve
corrupção passiva e ativa.
A renovação da concessão do Metrô Rio foi um ótimo negócio para a
Opportrans, uma parceria montada pelo Opportunity, do banqueiro Daniel
Dantas, com o Citibank. Onze meses antes, em janeiro de 2007, início da
gestão Cabral, o Metrô Rio contratara o escritório Coelho, Ancelmo
& Dourados Advogados, do qual era sócia a mulher de Cabral, Adriana
Ancelmo. Com o acordo, a Opportrans manteve os direitos sobre a
concessão até 2038. Também ficou dispensada de pagar a outorga – pela
qual desembolsara R$ 281,7 milhões, em 1997, o equivalente a R$ 718
milhões, em 2007 –, em troca de investir “a cifra aproximada de R$ 1
bilhão”. Apenas um ano e três dias depois do acordo, valorizado pela
permissão de exploração agora de 30 anos – em vez dos dez anos que
faltavam –, o consórcio foi vendido por R$ 995,7 milhões para a Invepar,
grupo integrado pela construtora OAS e pelos fundos de pensão dos
funcionários do Banco do Brasil (Previ) e da Petrobras (Petros). A
Procuradoria-Geral do Estado se opôs à prorrogação naqueles termos. O
parecer não foi levado em conta.
De acordo com a assessoria de imprensa da Camargo Corrêa, o acordo
triangular com o Estado e o Metrô Rio “foi homologado pela Justiça, que
já havia determinado a penhora para pagamento da dívida reconhecida em
valor superior”. A assessoria ressaltou que o STJ suspendeu o processo
da Castelo de Areia e anulou todas as provas obtidas pela PF.
O governo do Rio afirmou que o secretário Wilson Carlos “jamais recebeu
dinheiro desse ou de qualquer outro acordo que envolva o Estado e nunca
teve conta no exterior”. O núcleo de comunicação do Estado afirma que
“essa ilação de que 5% do valor do acordo teriam sido depositados em
contas particulares no exterior é absurda e destituída de qualquer
fundamento” e que “o Estado ou o secretário Wilson Carlos jamais foram
intimados a se manifestar sobre tal disparate”. De acordo com o governo,
Carlos Miranda foi sócio de Cabral “em uma empresa que deixou de operar
há mais de sete anos e já foi extinta”. “Não vemos como ele possa ter
se beneficiado do acordo entre o Estado e a empresa Camargo Corrêa.”
Carlos Miranda foi procurado por ÉPOCA em 16 números de telefones
diferentes e não foi encontrado.
O recurso dos procuradores do MPF está no STF, nas mãos do relator Luiz
Roberto Barroso. Sua assessoria diz que o caso está “em análise” e
ainda não há data para seu julgamento. Se o processo for reaberto, a
Procuradoria-Geral da República terá a oportunidade de aferir se a
Castelo de Areia trouxe à tona mais do que denúncias anônimas vazias.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Exclusivo: a conta da família de EDUARDO PAES no Panamá
A movimentação de recursos financeiros entre empresários, pastores
protestantes e políticos brasileiros, em território panamenho, passou a
ser notícia no país após a divulgação, na terça-feira, em um dos
noticiosos de maior audiência na TV brasileira, da transação que
resultou na venda do Hotel St. Peter, em Brasília, a um grupo econômico
abrigado pelas leis do Panamá, que garantem o sigilo da operação
comercial. Este é o hotel onde, uma vez aprovado por um tribunal de
Justiça, o ex-ministro José Dirceu cumprirá pena em regime semi aberto.
Além do prefeito do Rio, Eduardo Paes, e sua família, a Editora Abril,
que edita a revista semanal de ultradireita Veja, também teriam usado os serviços do suposto ‘laranja’ José Eugenio Silva Ritter, na Cidade do Panamá.
“Embora não tenha conseguido estabelecer uma conexão direta entre
Dirceu e a empresa no Panamá, uma vez que o contrato do St. Peter
envolvia o empresário Paulo Abreu e o suposto laranja, o Jornal Nacional (JN, da Rede Globo)
deixou no ar a insinuação de que o St. Peter talvez pertencesse ao
próprio ex-ministro. Ou seja: Dirceu estaria sendo contratado por ele
próprio, o que seria um argumento a mais para que a Vara de Execuções
Penais do Distrito Federal negasse a ele o direito ao regime de prisão
semiaberto – ao qual, diga-se de passagem, foi condenado”, afirma o site
de notícias Brasil 247.
A mesma página, na internet, também revelou, nesta quinta-feira, “que
Jose Eugenio Silva Ritter atuou em outras transações importantes no
Brasil. Uma delas, a compra de três operações da TVA vendidas pelo grupo Abril, que edita a revista Veja
– a mesma cujo colunista mais notório, Reinaldo Azevedo, vinha usando o
caso panamenho para pressionar juízes a negar a oferta de emprego a
Dirceu”.
Ainda segundo o 247, “Jose Eugenio Silva Ritter já foi dono de duas empresas offshore que hoje pertencem à família do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. As
empresas se chamam Conval Corporation e Vittenau Corporation. A primeira
foi constituída em 12 de junho de 2008 e a segunda uma semana depois,
em 19 de junho daquele ano – o mesmo em que Eduardo Paes se elegeu pela
primeira vez para governar a cidade. Hoje elas pertencem a Valmar Souza
Paes, pai do prefeito, Consuelo da Costa Paes, a mãe, e Letícia da Costa
Paes, a irmã caçula”.
“Cada uma delas tem um capital social de US$ 4 millhões, ou seja, US$
8 milhões, que, hoje, equivaleriam a cerca de R$ 20 milhões. Ambas
foram constituídas pelo escritório Morgan y Morgan, um dos mais atuantes
no Panamá, que, ao que tudo indica, tem farta clientela no Brasil.
Informações trazidas ao 247 revelam que Jose Eugenio Silva Ritter é ou
foi “dono” de mais de 1,5 mil empresas – a maioria delas no país”.
Grupo Abril e TVA
Conforme apurou o site, “o grupo Abril vendeu as operações da TVA em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba – três das principais praças comerciais do Brasil – para a Truston International Inc. Quem está por trás dos negócio, no entanto, é o Bispo RR Soares. Em agosto deste ano, a Anatel autorizou a venda de três operadoras de TVA para o cunhado de Edir Macedo, e que criou a Igreja Internacional da Graça de Deus, em 1980, depois de se desentender com seu mentor”.
“O pedido de anuência prévia para a venda desses canais foi aditado em 2012, porque os atores iniciais da compra – Raul Rothschild de Abreu e Cintia Rothschild de Abreu Alvarenga – também seriam quotistas de emissoras de radiodifusão e a nova lei proibiu a propriedade cruzada entre radiodifusores e operadores de telecom”, afirma o site. E continua: “Esses primeiros compradores transferiram, então, os direitos de cessão sobre as outorgas de TVA para duas pessoas físicas, Lara Severino Vargas de Abreu e Igor de Abreu Demétrio Zarra, que ficam com 70% da empresa e a holding Compor Communication, que detém 30% restantes. A Compor é a mesma companhia que foi apontada, em rede nacional, na noite da terça-feira 3, no Jornal Nacional, como contratante do auxiliar José Eugenio Silva Ritter. Cidadão panamenho, ele seria o ‘laranja’ que se tornou proprietário do hotel St. Peter”.
Perseguição política
Na análise do jornalista Luiz Carlos Azenha, editor do site Viomundo, em artigo intitulado A lógica torta da Globo no caso de José Dirceu, “dezenas de milhares de presos brasileiros, que cumprem pena em regime semi-aberto, trabalham. Não é nenhum privilégio: está previsto na legislação. Assim como está prevista a remissão de pena, ou seja, a redução da pena em função dos dias trabalhados. Não há nada de excepcional nisso”.
“Pergunta básica sobre um preso hipotético: José da Silva é responsável pelas ações daquele que o emprega? Se a empresa que acolheu José da Silva for condenada por tráfico de drogas, se sonegar Imposto de Renda ou se for de propriedade de um laranja, José da Silva deve pagar também por isso?”, questiona.
“Resposta óbvia: não”.
E afirma: “Qualquer tentativa em sentido contrário significa punir por associação”.
Azenha reproduz a declaração de um dos advogados de Dirceu:
“A constituição societária do hotel St. Peter não diz respeito a meu cliente. Por que 400 pessoas podem trabalhar no hotel e o ex-ministro não? Esse hotel é antigo em Brasília, tradicional, mas para alguns parece que foi inaugurado ontem. Juntamos toda a documentação necessária para que meu cliente possa trabalhar e espero a decisão da Justiça’. O que o Jornal Nacional está tentando fazer é ‘punir’ um hotel que ofereceu um emprego a José Dirceu. É punir o preso por práticas supostamente ilícitas do hotel, o que é um absurdo jurídico”, afirmou.
Ainda segundo o jornalista, “ou isso, ou a Globo está tentando lançar no ar uma ilação: José Dirceu seria o dono oculto do hotel que pretende empregá-lo, através de um laranja num refúgio fiscal, o Panamá. Mas, aí, eu também posso fazer uma ilação: José Dirceu comprou parte da Abril, com o objetivo de calar Victor Civita. Sim, porque como revelou um sítio, a mesma empresa do ‘laranja’ envolvido com o hotel Saint Peter — que ofereceu emprego a José Dirceu — comprou parte da TVA, da Abril”.
“Já pensaram nisso? José Dirceu compra a Veja para torná-la uma publicação esquerdista!”, acrescenta.
E Azenha emenda: “Por falar em ironia, o blogueiro Mello desafiou a Globo a ir fundo não apenas no Panamá, mas também nas ilhas Virgens Britânicas, onde uma certa Globo Overseas comprou os direitos de transmissão das copas de 2002 e 2006 usando uma empresa de fachada. A palavra não é minha, é da Receita Federal. O que a Globo está tentando fazer no caso de Dirceu equivale ao Mello pedir que William Bonner seja punido por eventual sonegação fiscal dos empregadores dele, os irmãos Marinho!”.
“Hoje, a Globo mobilizou três pessoas para fazer valer sua tese de que o escândalo diz respeito ao preso José Dirceu: Álvaro Dias e “ministros” do Supremo Tribunal Federal. Nem Gilmar Mendes, nem Marco Aurélio Mello, ouvidos, foram assim tão enfáticos. Mello, aliás, lembrou que não falava como juiz do caso. Por motivos óbvios: a decisão de permitir ou não que José Dirceu trabalhe não tem relação alguma com o fato de o hotel pertencer a um laranja ou a marcianos”.
Na opinião do cronista político, “o que a Globo quer é vingança. É evitar que José Dirceu tenha os mesmos direitos de dezenas de milhares de outros presos que cumprem pena em regime semi aberto. Direito ao trabalho. À ressocialização. A Globo não quer que a lei seja cumprida. Ou quer que ela seja cumprida seletivamente. É isso o que se esconde por trás do ‘jornalismo’ do Ali Kamel.
CORREIO DO BRASIL : http://correiodobrasil.com.br/noticias/politica/politico-pastor-e-empresario-usam-servicos-de-laranja-no-panama/667506/
Grupo Abril e TVA
Conforme apurou o site, “o grupo Abril vendeu as operações da TVA em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba – três das principais praças comerciais do Brasil – para a Truston International Inc. Quem está por trás dos negócio, no entanto, é o Bispo RR Soares. Em agosto deste ano, a Anatel autorizou a venda de três operadoras de TVA para o cunhado de Edir Macedo, e que criou a Igreja Internacional da Graça de Deus, em 1980, depois de se desentender com seu mentor”.
“O pedido de anuência prévia para a venda desses canais foi aditado em 2012, porque os atores iniciais da compra – Raul Rothschild de Abreu e Cintia Rothschild de Abreu Alvarenga – também seriam quotistas de emissoras de radiodifusão e a nova lei proibiu a propriedade cruzada entre radiodifusores e operadores de telecom”, afirma o site. E continua: “Esses primeiros compradores transferiram, então, os direitos de cessão sobre as outorgas de TVA para duas pessoas físicas, Lara Severino Vargas de Abreu e Igor de Abreu Demétrio Zarra, que ficam com 70% da empresa e a holding Compor Communication, que detém 30% restantes. A Compor é a mesma companhia que foi apontada, em rede nacional, na noite da terça-feira 3, no Jornal Nacional, como contratante do auxiliar José Eugenio Silva Ritter. Cidadão panamenho, ele seria o ‘laranja’ que se tornou proprietário do hotel St. Peter”.
Perseguição política
Na análise do jornalista Luiz Carlos Azenha, editor do site Viomundo, em artigo intitulado A lógica torta da Globo no caso de José Dirceu, “dezenas de milhares de presos brasileiros, que cumprem pena em regime semi-aberto, trabalham. Não é nenhum privilégio: está previsto na legislação. Assim como está prevista a remissão de pena, ou seja, a redução da pena em função dos dias trabalhados. Não há nada de excepcional nisso”.
“Pergunta básica sobre um preso hipotético: José da Silva é responsável pelas ações daquele que o emprega? Se a empresa que acolheu José da Silva for condenada por tráfico de drogas, se sonegar Imposto de Renda ou se for de propriedade de um laranja, José da Silva deve pagar também por isso?”, questiona.
“Resposta óbvia: não”.
E afirma: “Qualquer tentativa em sentido contrário significa punir por associação”.
Azenha reproduz a declaração de um dos advogados de Dirceu:
“A constituição societária do hotel St. Peter não diz respeito a meu cliente. Por que 400 pessoas podem trabalhar no hotel e o ex-ministro não? Esse hotel é antigo em Brasília, tradicional, mas para alguns parece que foi inaugurado ontem. Juntamos toda a documentação necessária para que meu cliente possa trabalhar e espero a decisão da Justiça’. O que o Jornal Nacional está tentando fazer é ‘punir’ um hotel que ofereceu um emprego a José Dirceu. É punir o preso por práticas supostamente ilícitas do hotel, o que é um absurdo jurídico”, afirmou.
Ainda segundo o jornalista, “ou isso, ou a Globo está tentando lançar no ar uma ilação: José Dirceu seria o dono oculto do hotel que pretende empregá-lo, através de um laranja num refúgio fiscal, o Panamá. Mas, aí, eu também posso fazer uma ilação: José Dirceu comprou parte da Abril, com o objetivo de calar Victor Civita. Sim, porque como revelou um sítio, a mesma empresa do ‘laranja’ envolvido com o hotel Saint Peter — que ofereceu emprego a José Dirceu — comprou parte da TVA, da Abril”.
“Já pensaram nisso? José Dirceu compra a Veja para torná-la uma publicação esquerdista!”, acrescenta.
E Azenha emenda: “Por falar em ironia, o blogueiro Mello desafiou a Globo a ir fundo não apenas no Panamá, mas também nas ilhas Virgens Britânicas, onde uma certa Globo Overseas comprou os direitos de transmissão das copas de 2002 e 2006 usando uma empresa de fachada. A palavra não é minha, é da Receita Federal. O que a Globo está tentando fazer no caso de Dirceu equivale ao Mello pedir que William Bonner seja punido por eventual sonegação fiscal dos empregadores dele, os irmãos Marinho!”.
“Hoje, a Globo mobilizou três pessoas para fazer valer sua tese de que o escândalo diz respeito ao preso José Dirceu: Álvaro Dias e “ministros” do Supremo Tribunal Federal. Nem Gilmar Mendes, nem Marco Aurélio Mello, ouvidos, foram assim tão enfáticos. Mello, aliás, lembrou que não falava como juiz do caso. Por motivos óbvios: a decisão de permitir ou não que José Dirceu trabalhe não tem relação alguma com o fato de o hotel pertencer a um laranja ou a marcianos”.
Na opinião do cronista político, “o que a Globo quer é vingança. É evitar que José Dirceu tenha os mesmos direitos de dezenas de milhares de outros presos que cumprem pena em regime semi aberto. Direito ao trabalho. À ressocialização. A Globo não quer que a lei seja cumprida. Ou quer que ela seja cumprida seletivamente. É isso o que se esconde por trás do ‘jornalismo’ do Ali Kamel.
CORREIO DO BRASIL : http://correiodobrasil.com.br/noticias/politica/politico-pastor-e-empresario-usam-servicos-de-laranja-no-panama/667506/
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
Containers das UPA's e UPP's é feita por empresa de fachada de amigão do vice Pezão
Empresa de fachada faz UPP e unidade de saúde no Rio
Há dois programas-chave na gestão do governador do Rio, Sérgio Cabral,
daqueles que funcionam como vitrine política. O das Unidades de Polícia
Pacificadora, as UPPs, que tiram de traficantes o domínio territorial
sobre as favelas, e as Unidades de Pronto Atendimento, conhecidas como
UPAs, pequenas unidades de saúde para doentes de menor complexidade,
feitas para desafogar prontos-socorros. Na semana passada, VEJA
descobriu que o que vai pelos bastidores desses programas pode
transformá-los em vidraça. Nos últimos três anos, uma única empresa
recebeu 140 milhões de reais pela construção de módulos de aço para as
unidades de saúde. A empresa também montou módulos para UPPs e recebeu
boa parte dos 8 milhões aplicados no projeto pela OGX, empresa de
petróleo do bilionário Eike Batista - o mesmo que empresta o jato para o
governador fazer viagens particulares. Criada em janeiro de 2009, sete
meses antes do primeiro repasse de verbas, a Metalúrgica Valença recebeu
empréstimos de 4 milhões de reais do governo do Rio e a concessão de
uso de um terreno entre 2009 e 2014, período exato do mandato de Cabral,
para se instalar. Mas, na sede da empresa em Valença, no sul
fluminense, não há nada além de uma estrutura metálica incompleta e mato
num terreno baldio. A fábrica até chegou a ser inaugurada, em junho de
2010. Mas dali não saiu, até agora, sequer uma chapa de aço.
O dono da Metalúrgica Valença é Ronald de Carvalho, conhecido na
vizinha Barra do Piraí por sua amizade com o vice-governador Luiz
Fernando Pezão, ex-prefeito da cidade e candidatíssimo à sucessão de
Cabral. Quem de fato monta as unidades é outra empresa de Carvalho, a
Metalúrgica Barra do Piraí, que não tem contrato com o governo do
estado. Procurado por VEJA, o empresário afirmou que não vê problema em
usar a fábrica de uma de suas empresas para construir algo que deveria
ser feito por outra. Tampouco explicou por que, depois de conseguir
empréstimos de 4 milhões de reais e concessão para o uso do terreno, e
de ter direito, em Valença, a um imposto sobre circulação de mercadorias
e serviços (ICMS) 17% menor do que o de Barra do Piraí, até agora não
instalou fábrica alguma na cidade. O governo do Rio afirma que
desconhece as irregularidades relativas aos módulos de saúde e que os
contratos para as UPPs são de responsabilidade da OGX. Revista Veja
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Região do Porto do Açu sofre com crise do grupo EBX
Comerciantes, lavradores e trabalhadores saíram perdendo com derrocada das empresas de Eike Batista
São João da Barra, RJ - Eles não estão
incluídos no processo de recuperação judicial e não farão parte de
nenhum cronograma de pagamento de dívidas. São a ponta menos visível da
crise do grupo X: pequenos empreendedores que investiram para aproveitar
as oportunidades geradas pelos gigantescos investimentos no Porto do
Açu e agricultores que foram desalojados de suas terras para a
construção de um distrito industrial na zona rural de São João da Barra,
onde está sendo instalado o empreendimento.
Como boa parte dos pequenos empreendedores locais, Bastos se viu
envolvido na espiral de calotes que assolou a região após o começo da
crise. Já conseguiu renegociar alguns créditos, mas ainda tem uma fatura
de R$ 30 mil não paga por uma das empresas contratadas para as obras do
porto. Histórias como essa são comuns na cidade e, segundo estimativa
feita pelo pesquisador do Instituto Federal Fluminense (IFF) Roberto
Moraes, que estuda os efeitos da implantação do porto, há hoje pelo
menos R$ 2 milhões em dívidas de fornecedores das empresas X junto a
empresários da região. Como se tratam de subcontratados, estes credores
não fazem parte do processo de recuperação judicial.
Dono de uma pousada e um restaurante na localidade de Grussaí, ao
norte do porto, João Batista Stellet Alves prefere nem dizer o valor do
calote que tomou de um cliente. "É um dinheiro que faz diferença",
lamenta o empresário, que investiu mais de R$ 300 mil na pousada,
inaugurada no fim de 2012. "Mas não quero protestar, porque sempre digo
que não sou fornecedor, sou parceiro", diz ele, com esperança de receber
a dívida e manter a clientela no futuro. No início do ano, manteve taxa
de ocupação de 100% por conta de um contrato com um prestador de
serviços do porto, que reservou todos os quartos para seus
trabalhadores. Hoje, a taxa oscila entre 50% e 75%, nos melhores dias.
Há, na cidade, uma grande interrogação com relação ao futuro do projeto. "A gente tem notícias aqui de novos contratos no porto e, de repente, começam a falar da falência do Eike Batista... Vai confiar em quem?", questiona Bastos. Além do terminal de minérios, seu carro-chefe, o empreendimento foi projetado para abrigar um complexo siderúrgico, um polo metal-mecânico, cimenteiras, uma base de apoio à exploração de petróleo e empresas de tecnologia, entre outros. A siderúrgica foi a primeira a desistir, como reflexo natural do excedente de capacidade de produção no mercado mundial após a crise de 2008, e levou consigo o polo metal-mecânico e o setor de cimento, que estavam ligados à produção do aço.
Este ano, duas notícias agravaram o clima de incerteza: empresas ligadas a Eike Batista e apresentadas como âncoras do porto, a Eneva (ex-MPX) e a OSX anunciaram a suspensão de projetos. A primeira desistiu de construir uma térmica a carvão, inviabilizada pela fuga das siderúrgicas - que consumiriam a energia - e pelo recuo do Instituto Estadual de Meio Ambiente (Inea) na concessão de licença ambiental. A segunda, após anunciar recuperação judicial, informou que devolverá à LLX metade da área prevista para o estaleiro, cujo projeto está sendo revisto.
O governo do estado trabalha para fomentar, na área, um polo de equipamentos submarinos para a produção de petróleo, em substituição às empresas que desistiram do investimento. Duas fábricas em implantação atualmente, da National Oilwell Varco e da Technip, pertencem a esse segmento. A proximidade com as reservas da Bacia de Campos, maior produtora nacional de petróleo, e com a cidade de Macaé, de onde a Petrobras coordena suas operações na região, é apontada como vantagem comparativa do porto do Açu neste sentido.
Existe a expectativa, também, de que empresas internacionais avaliem a compra do estaleiro. Qualquer negociação, porém, depende do andamento do processo de recuperação judicial da OSX, protocolado na Justiça do Rio na última segunda-feira. De certo, apenas o terminal de minério, com início de operações previsto para o ano que vem - além das empresas de equipamentos petrolíferos. "A LLX está com um novo dono (a americana EIG), que deve retomar os processos. Tenho a esperança que, para meados de 2014, a coisa volte a acelerar", aposta Alves.
Produtores rurais resistem a desapropriações para obras do distrito industrial
"Eles primeiro chegam de mansinho, medindo as terras. Depois botam a placa e dizem que é deles". A reclamação do pequeno produtor rural de São João da Barra Reginaldo de Almeida, em frente ao terreno que pertence a sua família há 40 anos, foi feita com dedo em riste. Na mira, uma placa que identifica o terreno contíguo de 13 quilômetros quadrados, desapropriado para receber o polo siderúrgico da ítalo-argentina Ternium, no entorno do superporto do Açu. Com a retração do mercado de siderurgia e a entrada da empresa no grupo controlado pela Usiminas, porém, o empreendimento foi interrompido em setembro e a expectativa é que a companhia entregue as terras, hoje improdutivas.
Há, na cidade, uma grande interrogação com relação ao futuro do projeto. "A gente tem notícias aqui de novos contratos no porto e, de repente, começam a falar da falência do Eike Batista... Vai confiar em quem?", questiona Bastos. Além do terminal de minérios, seu carro-chefe, o empreendimento foi projetado para abrigar um complexo siderúrgico, um polo metal-mecânico, cimenteiras, uma base de apoio à exploração de petróleo e empresas de tecnologia, entre outros. A siderúrgica foi a primeira a desistir, como reflexo natural do excedente de capacidade de produção no mercado mundial após a crise de 2008, e levou consigo o polo metal-mecânico e o setor de cimento, que estavam ligados à produção do aço.
Este ano, duas notícias agravaram o clima de incerteza: empresas ligadas a Eike Batista e apresentadas como âncoras do porto, a Eneva (ex-MPX) e a OSX anunciaram a suspensão de projetos. A primeira desistiu de construir uma térmica a carvão, inviabilizada pela fuga das siderúrgicas - que consumiriam a energia - e pelo recuo do Instituto Estadual de Meio Ambiente (Inea) na concessão de licença ambiental. A segunda, após anunciar recuperação judicial, informou que devolverá à LLX metade da área prevista para o estaleiro, cujo projeto está sendo revisto.
O governo do estado trabalha para fomentar, na área, um polo de equipamentos submarinos para a produção de petróleo, em substituição às empresas que desistiram do investimento. Duas fábricas em implantação atualmente, da National Oilwell Varco e da Technip, pertencem a esse segmento. A proximidade com as reservas da Bacia de Campos, maior produtora nacional de petróleo, e com a cidade de Macaé, de onde a Petrobras coordena suas operações na região, é apontada como vantagem comparativa do porto do Açu neste sentido.
Existe a expectativa, também, de que empresas internacionais avaliem a compra do estaleiro. Qualquer negociação, porém, depende do andamento do processo de recuperação judicial da OSX, protocolado na Justiça do Rio na última segunda-feira. De certo, apenas o terminal de minério, com início de operações previsto para o ano que vem - além das empresas de equipamentos petrolíferos. "A LLX está com um novo dono (a americana EIG), que deve retomar os processos. Tenho a esperança que, para meados de 2014, a coisa volte a acelerar", aposta Alves.
Produtores rurais resistem a desapropriações para obras do distrito industrial
"Eles primeiro chegam de mansinho, medindo as terras. Depois botam a placa e dizem que é deles". A reclamação do pequeno produtor rural de São João da Barra Reginaldo de Almeida, em frente ao terreno que pertence a sua família há 40 anos, foi feita com dedo em riste. Na mira, uma placa que identifica o terreno contíguo de 13 quilômetros quadrados, desapropriado para receber o polo siderúrgico da ítalo-argentina Ternium, no entorno do superporto do Açu. Com a retração do mercado de siderurgia e a entrada da empresa no grupo controlado pela Usiminas, porém, o empreendimento foi interrompido em setembro e a expectativa é que a companhia entregue as terras, hoje improdutivas.
Almeida é um dos produtores rurais que tiveram terras desapropriadas
para a construção do distrito industrial do Açu, que abrigaria parte dos
empreendimentos previstos para o complexo. De acordo com o chefe da
família, Reinaldo de Almeida, de 78 anos, eles perderam um lote de três
alqueires e temem ter que sair do terreno em que vivem e cultivam
maxixe, quiabo e abacaxi. "Eu, meu pai e meus sete irmãos revezamos para
nunca deixar o terreno vazio, porque eles só vêm quando não tem
ninguém", diz o filho Reginaldo, que convive 24 horas por dia com
caminhonetes e uma guarita de segurança privada instalada ao lado da
casa de um dos irmãos.
A operação de desapropriação teve início no final de 2009, com estudos que definiram a necessidade uma área de 70 quilômetros quadrados, antes dividida em 466 lotes de pequenos produtores rurais. Desde então, 292 propriedades já foram desapropriadas, mediante imissão de posse. Em contrapartida, o governo ofereceu às famílias que residiam nas terras lotes de, no mínimo, dois hectares em um assentamento próximo chamado Vila da Terra. Além disso, todos os proprietários, moradores ou não, ganharam direito a um auxílio-produção de um a cinco salários mínimos por dois anos. O governo informa que já foram pagos cerca de R$ 2,8 milhões em auxílio para 190 famílias, das quais 35 foram para o assentamento.
Segundo o governo estadual, para os casos em que não houve acordo, já existem ações na Justiça e, hoje, as indenizações vem sendo feitas por depósito judicial. A resistência ao processo, que vem sendo usado como arma pela oposição ao governo Sérgio Cabral, aumenta à medida em que o projeto do porto perde tamanho. "Não precisava ter abraçado o mundo com tanta pressa. Esse porto está lá longe e nós perdemos pasto e área para plantar", diz o produtor Manoel Peixoto, conhecido na região como Manoel Poeira, de 61 anos.
Manoel levou a reportagem do Brasil Econômico até os limites da área onde, há um ano, foi detido por resistência à desapropriação. A área de um alqueire, hoje cercada por arame farpado. "Me agarraram pelo pescoço e me algemaram com meus dois filhos, como bandidos", recorda, exaltado. Ele lamentou o fato de terem jogado areia sobre a terra, que ficou improdutiva - mesmo que não seja usada pelo porto - e não perdeu a chance de comentar o mau momento de Eike Batista. "Avião, para subir lá para o céu, precisa de motor potente. Para cair, não precisa de nada". FONTE: BRASIL ECONÔMICO
A operação de desapropriação teve início no final de 2009, com estudos que definiram a necessidade uma área de 70 quilômetros quadrados, antes dividida em 466 lotes de pequenos produtores rurais. Desde então, 292 propriedades já foram desapropriadas, mediante imissão de posse. Em contrapartida, o governo ofereceu às famílias que residiam nas terras lotes de, no mínimo, dois hectares em um assentamento próximo chamado Vila da Terra. Além disso, todos os proprietários, moradores ou não, ganharam direito a um auxílio-produção de um a cinco salários mínimos por dois anos. O governo informa que já foram pagos cerca de R$ 2,8 milhões em auxílio para 190 famílias, das quais 35 foram para o assentamento.
Segundo o governo estadual, para os casos em que não houve acordo, já existem ações na Justiça e, hoje, as indenizações vem sendo feitas por depósito judicial. A resistência ao processo, que vem sendo usado como arma pela oposição ao governo Sérgio Cabral, aumenta à medida em que o projeto do porto perde tamanho. "Não precisava ter abraçado o mundo com tanta pressa. Esse porto está lá longe e nós perdemos pasto e área para plantar", diz o produtor Manoel Peixoto, conhecido na região como Manoel Poeira, de 61 anos.
Manoel levou a reportagem do Brasil Econômico até os limites da área onde, há um ano, foi detido por resistência à desapropriação. A área de um alqueire, hoje cercada por arame farpado. "Me agarraram pelo pescoço e me algemaram com meus dois filhos, como bandidos", recorda, exaltado. Ele lamentou o fato de terem jogado areia sobre a terra, que ficou improdutiva - mesmo que não seja usada pelo porto - e não perdeu a chance de comentar o mau momento de Eike Batista. "Avião, para subir lá para o céu, precisa de motor potente. Para cair, não precisa de nada". FONTE: BRASIL ECONÔMICO
domingo, 10 de novembro de 2013
CABRAL É O MEU GAROTO !
Mãe de Cabral diz: Saiam da porta do meu filho
"É o melhor governador do Brasil", diz pai de Sérgio Cabral Filho
Para a oitava biografia de sua carreira, Quanto Mais Cinema Melhor (Lazuli Editora), Sérgio Cabral, de 76 anos, escolheu seu primeiro 'personagem vivo' e fora da MPB: o diretor de TV e cineasta Carlos Manga. “Ele é a única grande figura viva da época de ouro das chanchadas e o único que poderia contar tudo. Manga era muito bonito e esteve com centenas de mulheres, não escapava uma atriz”. Pai do governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, ele já está mergulhado na vida de Aracy de Almeida, "sua próxima vítima", como costuma brincar. A cantora completaria 100 anos em 2014.
Como vê a polêmica das biografias não autorizadas?
Jamais vou pedir licença a alguém para escrever uma biografia. Mas também escrevo com consciência e acredito que o retratado nunca poderia ficar chateado comigo, porque não vou falar coisas que denigrem. Li que o Caetano não gosta de biografias. Como assim? Ele me ligou quando escrevi o livro do Ary Barroso dizendo que tinha adorado.
Sobre quem gostaria de escrever?
Vinicius de Moraes. Mas não vou escrever nada sobre ele porque teria que ficar uns cinco anos trabalhando, e não tenho esse tempo. O Manga foi exceção, ele é um amor, mas gente viva é muito chata e fica cheia de coisinhas.
O que pode adiantar sobre a biografia da Aracy de Almeida?
Ela era uma pessoa fantástica, mas andou fazendo umas bobagens quando foi jurada num programa de calouros. Ficou estigmatizada como ranzinza e chata , mas era inteligentíssima, culta e podia discutir sobre qualquer coisa. Quero mostrar essa pessoa para todo mundo. É uma cantora que me seduz.
Como é ser pai de um governador alvo de tantos protestos?
Tenho muito orgulho, mas muita aflição por tudo o que está acontecendo, por ele ficar exposto a críticas que parecem muito pessoais. Para mim ele é o melhor governador que o Brasil já teve. Acredito que ele cometeu algum erro com a imprensa, porque os jornais têm uma antipatia dele. Sei que isso passa. Como conheço jornal e conheço meu filho, tudo vai terminar bem. Se não terminar bem, é porque não chegou ao fim.
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