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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

QUE MORAL SÉRGIO CABRAL TEM?

 Com apoio de Sérgio Cabral, a direita ganha “Lei da Moral”

Sérgio Cabral (PMDB), governador do Rio de Janeiro, sancionou projeto de lei de autoria da deputada Myrian Rios. Projeto já conhecido como "Lei da Moral". Segundo a autora, lei para fortalecer os valores morais, os bons costumes, a família et cetera… Bem, vamos à realidade.

 
Myrian Rios, que é também missionária católica ligada à comunidade Canção Nova, de renovação carismática, eleita deputada pelo PDT, hoje está no PSD. O PSD é aquele partido do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, que nasceu filiando muito vivos, e inclusive mortos.
 
O governador Sérgio Cabral é aquele da festa dos guardanapos em Paris. Festa-símbolo da ação escandalosa da empreiteira Delta. Festa com o amigo Fernando Cavendish, dono da empreiteira. Cabral escapou da CPI do Cachoeira por conta de um acordão no submundo da política & negócios. Acordão que juntou PT, PSDB, PMDB…
 
Como foi Sérgio Cabral quem sancionou a "Lei da Moral" e dos "Bons Costumes", cabem perguntas: que "Moral"? De quem? Onde os "Bons Costumes"? Em Paris? Na Delta? Ou no que os guardanapos escondiam? E esconderam.
 
Sem chegar a visitar demais motivações para tal projeto, e quase sempre há e haverá, imagine-se a aplicação prática dessa lei; isso levando-se em conta apenas as intenções anunciadas e a percepção da deputada Myrian Rios quanto à "moral" e aos "costumes". Quem vai fiscalizar o Carnaval no sambódromo? Como serão escolhidos os fiscais de tapa-sexo ou das purpurinas que cumprem a mesma função? Por concurso público ou valerá o notório saber? 
 
Myrian Rios já insinuou, num discurso em 2011, existir relação entre a pedofilia e a homossexualidade; depois disse ter sido mal interpretada e se desculpou. Qual a distância entre a deputada e sua "Lei da Moral", e o que acontece, os "costumes", na vida real? Nas ruas, ou nos bailes noturnos do carnaval carioca, em Salvador, Olinda, Ouro Preto, Belém, Cocorobó… Brasil afora.
 
Tendo-se como baliza as intenções da deputada, o que farão os aplicadores da "Lei da Moral" e dos "Bons Costumes" com a novela das 9? Ou com os subterrâneos dos edredons do BBB? E as capas das revistas chamadas de "masculinas"? Essas que estão penduradas nas bancas de revistas do Rio de Janeiro e do país inteiro.
 
Quantos e quais fiscais decidirão que comissões de frente, ou traseiros, podem ser expostos nas bancas ou nos outdoors? "Lei da Moral" e dos "Bons Costumes" aprovada pela Assembleia do Rio, a célebre ALERJ? Quantos deputados cariocas passariam pelo crivo da "Moral" e dos "Bons Costumes"?
 
Essa lei é um resquício autoritário, reedição do FEBEAPA, coisa de ditaduras. Essa lei é carregada de hipocrisia. É mais uma lei para desmoralizar as leis, porque não vai pegar. Essa é mais uma lei oportunista… mas não é apenas isso.
 
Essa lei é mais um passo na caminhada de grupos que, mesmo sem ter noção disso, são fundamentalistas. Grupos, até há pouco, desconectados, dispersos na sociedade. Grupos à direita ou à extrema direita no espectro ideológico.
 
Grupos que, se reunidos, já são multidões. Uma gente que começa a encontrar liga e espaço na vida política e partidária. Como, aliás, é um direito nas democracias.
 
É bom que assim seja, com rosto e voz. Assumidos como são e como pensam. Multidões que encontraram no moralismo mais raso um discurso, uma razão, e motivação para seguir adiante.
 
 

2 comentários:

  1. Não tem nada a ver a vida pessoal dele com a política. ele sancionoua lei que traz valores importantes a todos os cariocas.

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  2. Aparício Fernando2 de março de 2013 09:50

    Em Saquarema-RJ, curral eleitoral do presidente da ALERJ, deputado Paulo Melo, a lei da mordaça têm a conivência dos três poderes constituídos. Todos os jornais de oposição foram 'cassados' com processos judiciais e residências de trabalhadores invadidas pela polícia para apreensão de computadores, notebooks, pendrivers etc. Tudo isso com a colaboração, arbitrária de um provedor de internet local. Enquanto isso o jornal 'chapa branca', O Saquá, é financiado pelo poder público para só falar bem do atual governo e do deputado, omitindo tudo aquilo de ruim que acontece no município, mesmo aquelas notícias que alcançam expressividade no estado, no país ou no exterior.

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