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Uma vistoria realizada, nesta quinta-feira, nos trens da SuperVia pelo deputado Alessandro Molon (PT) e por diretores do Sindicato dos Ferroviários acendeu o sinal vermelho para as composições da empresa. A inspeção apontou problemas como superlotação e irregularidade na partida dos trens.
Por causa disso, o deputado decidiu que vai mesmo protocolar o pedido de abertura de uma CPI do Sistema Metroferroviário. O pedido será feito na próxima semana, com o fim do período de recesso na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Molon já havia realizado inspeção semelhante no metrô e decidiu fazer o mesmo com os trens.
— Os principais problemas constatados foram superlotação, desconforto, irregularidade na partida dos trens, insegurança e ineficiência — disse o deputado.
A vistoria foi iniciada no início da noite, numa composição do ramal Japeri, na Central do Brasil, e seguiu até a estação de Cascadura. No trajeto, Molon disse que recebeu muitas queixas.
— As condições estão muito precárias, o que reforça a necessidade de uma CPI do Sistema Metroferroviário — afirmou o deputado.
Pedido de CPI
Segundo Molon, a CPI terá três frentes de trabalho. Uma para investigar os problemas referentes ao metrô, outra para apurar as queixas relacionadas à SuperVia e outra para analisar a atuação da Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes do Rio (Agetransp). O órgão é responsável por fiscalizar o metrô e os trens.
A SuperVia foi procurada, mas preferiu não se manifestar sobre o assunto.
Segundo o deputado estadual Alessandro Molon (PT), que deseja criar uma CPI na Assembleia Legislativa, o grupo Facility faturou mais de R$ 1,2 bilhão com terceirizações da administração estadual nos últimos seis anos. "Quando levantei dados da empresa no governo Rosinha (2003-06), a concentração de contratos já me parecia suspeita. A concentração aumentou no governo Cabral", afirmou. "Isso precisa ser apurado."
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Sérgio Cabral: Tragédia anunciada, sumiço e irresponsabilidade em Angra
O saldo da tragédia de Angra dos Reis, município litorâneo do Rio de Janeiro, dificilmente poderia ser pior. Mortes, pessoas desabrigadas, irresponsabilidade do poder público, inércia quanto a um desastre anunciado e a noção de que não se pode confiar em um Governador que, simplesmente, desapareceu.
Toda a catátrofe ocorrida por conta das fortes chuvas, noticiada largamente nos jornais, era de certa forma prevista. Laudos e estudos mostravam a fragilidade da região há tempos. Nada foi feito por um poder público chefiado por um Governador que, pasmem, até mesmo afrouxou fortemente, há pouco tempo, as regras para a ocupação da região atingida.
É isso mesmo que está escrito. O Governador Sérgio Cabral (PMDB) assinou decreto em meados do ano passado permitindo a construção de edificações - normalmente mansões de ricos e famosos – na área de preservação ambiental que engloba os pontos mais calamitosos de hoje.
Meses após a assinatura do decreto, que modificou as regras da APA Tamoios, o Ministério Público Federal apontou irregularidades nestas mudanças. Nenhuma providência foi tomada.
O decreto, por beneficiar as celebridades, ficou conhecido jocosamente como “decreto Luciano Huck”, em alusão à mansão que o apresentador possui na região.
Pois bem. Como se já não bastasse toda a inércia com relação a um problema grave, que poderia ter sido evitado se os estudiosos fossem ouvidos e as precauções necessárias empreendidas, e a irresponsabilidade de aprovar a ampliação da ocupação justamente desta área, o Governador ainda nos brinda com o sumiço.
Embora continue alegando que estava em Mangaratiba – município vizinho a Angra dos Reis -, em detrimento dos boatos de que teria passado o réveillon no exterior secretamente para não ser mais criticado pelas inúmeras viagens, o Governador Sérgio Cabral ainda não explicou o porquê de não ter comparecido à região da tragédia. A alegação de que a presença do Vice-Governador, Luiz Fernando Pezão, era suficiente não cola. Até mesmo aliados afirmam isso e sabem que o desaparecimento do Governador foi uma terrível bola fora.
Aliás, toda essa questão demonstra porque Cabral reluta tanto em ceder a vaga de Vice na sua chapa que concorrerá à reeleição neste ano para o PT fluminense – o que facilitaria um acordo – e comprova o que este que vos fala vem dizendo há meses: Quem entende os meandros do governo é Pezão. Se o Rio tivesse apenas Cabral estaria mais perdido ainda. É Pezão o real gestor e Cabral até mesmo não compreende como funcionam algumas áreas do governo. Para os que questionam essa tese, vale citar que analistas políticos renomados já estão fazendo chacota e pedindo a candidatura de Pezão, ao invés da de Cabral.
Em suma, fica o povo fluminense com a noção de que tudo poderia ter sido evitado pelo governo estadual cabralino, de que o Vice-Governador entende mais do estado do que o Governador, de que a mudança das regras de ocupação da área de preservação ambiental da região atingida pelos deslizamentos foi extremamente irresponsável e de que, como citou a Senadora Marina Silva sobre o caso, após o fim da comoção a inércia retornará e as tragédias se repetirão.
Resta ainda a vergonha de ter um Governador que é alvo de chacotas triplamente: É motivo de zombaria por atuar menos que o Vice, é chamado de Wally – personagem de livros infantis – por ter dado um sumiço quando a população mais precisava de sua presença e tem seu decreto caracterizado como o “decreto Luciano Huck”.
Não é preciso falar mais nada. Aliás, um ponto ainda tem mais uma citação necessária:
Afinal de contas, se Cabral estava em Mangaratiba, porque não se solidarizou com os que perderam bens, moradias e familiares? Se não estava em Mangaratiba e por isso não teve tempo de chegar a Angra logo após a tragédia, estava aonde?
Cabral pode até não responder estes questionamentos. Mas o eleitor pode dar sua resposta nas urnas.
Decreto de Cabral sobre Ilha Grande saiu três dias antes de a Justiça tentar notificar Luciano Huck